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O Metrô de São Paulo é seguro?
O recente descarrilamento de um vagão do Metrô em São Paulo, trouxe à tona a discussão sobre a segurança nos transportes públicos. O acidente (primeiro registrado desde o início da operação comercial do sistema) não deixou feridos, mas causou a interdição da via, além de manifestações do Sindicato dos Metroviários, que acusa a Companhia do Metropolitano de São Paulo de não dar a devida atenção aos serviços de manutenção preventiva.
A questão é: há falta de mão-de-obra no Metrô e isso realmente traz riscos para os usuários? O que mudou nesse serviço público estadual nos últimos anos? A população está satisfeita com os serviços prestados? Nesta edição você vai conhecer as reclamações dos metroviários e a resposta da Companhia do Metropolitano. E mais uma vez foram discutidas mudanças na Avenida Paulista. Será que os projetos apresentados finalmente sairão do papel?
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Manutenção no Metrô
Na manhã do último dia 18 de outubro, um vagão do Metrô descarrilou entre as estações Santana e Tucuruvi, provocando a interdição da linha norte-sul durante todo o dia. O trem, ao sair da linha, chocou-se contra a passarela utilizada por funcionários e que serve de apoio para a saída de passageiros em caso de emergência. O acidente não deixou feridos e foi o primeiro desse tipo registrado desde que o Metrô entrou em operação na cidade, em setembro de 1974, mas a divulgação das causas apontadas - problemas no disco de freio - provocou a manifestação do Sindicato dos Metroviários.
O presidente do órgão representativo dos funcionários, Onofre Gonçalves de Jesus, acusa a Companhia do Metropolitano de São Paulo de não fazer a manutenção preventiva necessária no sistema. A degradação no Metrô não é brincadeira e pode ocorrer a qualquer momento um problema grave, alerta Jesus. Segundo ele, é preciso uma revisão geral das composições. Hoje estaria sendo realizada apenas a manutenção corretiva e não a preventiva, comum há cinco anos.
Jesus conta que antes os trens eram recolhidos por 60 dias para avaliação. Todos os equipamentos eram mandados para a oficina e o trem voltava zero, com tudo revisado. Hoje os trens andam com a quilometragem estourada. A manutenção preventiva profunda não é feita, sustenta Jesus. A assessoria de imprensa do Metrô contesta a informação do sindicato e diz que as revisões são feitas a cada 1,2 milhão de quilômetros rodados.
Renovação da Frota
Até o fechamento desta edição ainda não estava concluída a sindicância aberta para apurar as causas do acidente, mas os indícios eram de que o disco de freio de uma das rodas se soltou. O sindicato diz que um check-up foi feito após a ocorrência e foram encontrados pelo menos um ou dois parafusos soltos em quase todas as composições. São apontados ainda problemas nas pastilhas de freio e trilhos. Jesus defende a troca de trilhos e trens, utilizados há 25 anos, enquanto o Metrô não vê necessidade.
A frota atual de trens do Metrô é de 98 trens. Recentemente foram comprados mais 11, mas não porque é preciso trocar, explica a companhia, mas porque o Metrô está pensando na expansão. Duas das composições novas já estão em operação. Quanto a troca dos trilhos, a empresa também não vê necessidade, apesar da reclamação de calosidades nos trilhos e rodas. Isso estaria provocando barulho e vibrações.
A manutenção acontece de 1 às 4 horas, período em que o sistema está fora de operação. Mas segundo o sindicato dos metroviários, houve corte de funcionários nesse setor na administração Mário Covas, o que prejudicou o trabalho. Já a companhia informa que não houve corte, mas um PDV (Plano de Demissões Voluntárias) por determinação do governo estadual, que não envolveu, no entanto, as áreas essenciais - manutenção, operação e segurança. Para o Metrô, no momento a contratação de pessoal não é necessária.
Encontrando Soluções
Em 25 anos de operação nunca aconteceu uma colisão ou acidente com vítimas, lembra a companhia. Nas pesquisas realizadas pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e Instituto Gallup, o Metrô está entre os serviços de transporte melhor avaliados pela população. É certo que muitas reclamações apresentadas pelos funcionários não são constatadas pelos usuários, como o problema de ventilação denunciado pelo sindicato nas estações do ramal Paulista.
Enquanto as outras linhas possuem o sistema VP (Ventilação Principal), nesse trecho há o chama-do efeito pistão - os dutos de ar existentes na Avenida Paulista, quando o trem passa a cerca de 87 km/h, puxam o ar da rua. Jesus diz que existem funcionários doentes por causa da poluição. O Metrô admite que da estação Clínicas à Paraíso foi utilizado um sistema diferente dos demais, mas alega que não há perigo para o usuário. A empresa explica que não obteve o mesmo sucesso, mas estão sendo feitos estudos para tentar encontrar uma solução.
Apesar de não terem conhecimento de todas as reclamações técnicas apresentadas, os usuários acabam sentindo os efeitos decorrentes do desgaste apontado pelo sindicato dos metroviários. Os freqüentes atrasos e paradas são resultado disso. Há, por exemplo, a ocupação falsa, um erro no computador que faz o operador pensar que existe outra composição no mesmo trilho. O defeito acaba provocando a paralisação do trem, as plataformas ficam lotadas e mesmo quando o sistema volta a funcionar, é preciso aguardar vários minutos para que tudo volte à normalidade e todos consigam embarcar. Um problema que não afeta a circulação dos trens, mas que pode ser observado por todos é o de infiltração de água na estação Vila Madalena. O Metrô informa estar tomando providências, mas que a solução não virá a curto prazo.
Tecnologia de Ponta
O fato é que, com os diversos problemas existentes no Metrô, ele é um dos melhores meios de transporte existentes numa cidade que sofre diversas deficiências nessa área. As reclamações dos usuários passam pela superlotação (chegou a transportar mais de 2 milhões de passageiros num só dia), paralisações e atrasos, mas ele é visto também como o transporte público mais limpo e ágil, podendo ser a solução para a interligação de vários pontos da cidade.
O governo do Estado informa que até 2005 estará concluído o trecho Luz-Vila Sônia, passando por Pinheiros, Avenida Paulista e região da Consolação. Também em andamento está o projeto da linha que ligará o Capão Redondo a Santo Amaro e a modernização da linha da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) de Santo Amaro até Osasco, mesmo sistema que vai unir a estação Itaquera a Guaianazes.
E comemorando os 25 anos de operação comercial, a Companhia do Metropolitano de São Paulo já executou em operação a primeira etapa do projeto de modernização do CCO (Centro de Controle Operacional). Em 2002, sistemas computadorizados de última geração vão controlar e supervisionar todas as linhas do Metrô, monitorando a movimentação de trens e passageiros, facilitando não só a vida dos operadores, mas também dos usuários que, espera-se, sofrerão menos com atrasos, paralisa-ções e acidentes.
Luciana de Melo lucianademelo@paulistanet.com.br
Propaulista
Mais uma vez são anunciados projetos para as mudanças há tanto tempo necessárias na Avenida Paulista. O prefeito Celso Pitta assinou um decreto que cria o Propaulista, Programa de Requalificação Urbana e Funcional na Região da Avenida Paulista, que vai aproveitar algumas propostas apresentadas por urbanistas e arquitetos no concurso de Valo-rização Urbana da Avenida Paulista, realizado em 1996. Entre elas estacionamentos subterrâneos, arborização de áreas, construção de vias para ônibus e outras.
Uma das idéias é proibir a circulação de ônibus fretados na avenida, permitindo que eles trafeguem apenas nas vias paralelas, o que pode congestionar ainda mais essas ruas. Também há a promessa de solucionar o problema dos camêlos e da poluição visual da região. O Propaulista terá um órgão executivo, constituído pelas secretarias de Planejamento (Sempla) e das Administrações Regionais (SAR), pela Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e pela Associação Paulista Viva. Também foi criada a Comissão Plenária Deliberativa Propaulista, composta por 30 entidades. As obras estão previstas para começar em 2001.
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