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Incômodo Sonoro
Efeitos do barulho
na audição
Você é daquelas pessoas que gostam de paz e sossego e que só encontram bem-estar onde há silêncio? Vive fugindo de buzinas, barulho de automóveis, música em alto volume, locais lotados com gente falando alto? Se respondeu sim, não quer dizer que você faça parte do grupo dos chatos por se incomodar com esses ruídos. Mas se você nem se importa com a poluição sonora, se escuta música sempre no último volume e tem dificuldade para entender o que as outras pessoas falam, aí sim, pode começar a se preocupar – sua audição talvez não esteja dentro da normalidade.
O fato é que o som intenso provoca perda de audição. Na Avenida Paulista, por exemplo, estamos submetidos pelo trânsito a cerca de 80 decibéis, quando o limite confortável (que não traria efeitos negativos) segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, é de até 50 decibéis. Apesar de ficar difícil fugir do barulho, há maneiras de prevenir a deficiência auditiva. Nesta edição você saberá como identificar sons prejudiciais e o que deve fazer para evitar que a intensidade sonora cause danos à sua saúde.
Saiba também sobre o êxito que tem obtido o Instituto São Paulo Contra a Violência, solucionando crimes com a ajuda da população através do Disque-Denúncia.
Som Intenso
A exposição aos sons intensos é a segunda causa mais comum de deficiência auditiva, segundo a Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. Estatísticas mostram que pelo menos 25 milhões de brasileiros tem diminuição de audição. E não apenas os ruídos constantes causam esse tipo de danos. O barulho de alta intensidade, mesmo que seja sentido uma única vez, pode gerar deficiência ou distorção sonora. E os sintomas nem sempre são identificados, fazendo com que a pessoa continue se expondo às diversas freqüências de som, acreditando que não será afetada.
Para quem vive em grandes cidades, como São Paulo, fica difícil fugir de situações de ruído. Não só o som das britadeiras, dos aviões durante a decolagem, dos shows de rock ou micaretas, que causam incômodo a muita gente, são prejudiciais. Até mesmo um liquidificador, a conversação, o tráfego do dia-a-dia, possuem intensidade sonora acima da indicada como confortável pela Organização Mundial da Saúde (segundo a OMS, acima de 50 decibéis o organismo humano começa a sofrer impactos do ruído).
De acordo com estudos, a chance de um indivíduo desenvolver perda auditiva quando exposto a ruídos de 90 decibéis durante 40 anos é de 25%. E um único som acima de 100 decibéis pode lesar irreversivelmente as células sensoriais de pessoas suscetíveis. Como é possível ver pela tabela, não é preciso muito para ser atingido por essa intensidade sonora. Na verdade, padrões ainda têm sido estabelecidos para indicar o quanto de som, em média, uma pessoa pode tolerar. A orientação geral é evitar ruídos que excedam 85 a 90 decibéis.
Especialistas dão dicas para saber identificar se o ambiente pode provocar danos à sua audição: você estará exposto se houver necessidade de gritar para se fazer ouvir; se sentir zumbidos no ouvido após o barulho violento; se uma sensação de diminuição de audição ou de ouvidos cheios aparecer após a exposição sonora. Outros sinais de alerta são: não entender direito o que as pessoas falam; ouvir o rádio ou TV muito alto; um ouvido escutar mais do que o outro; ter que fazer esforço para ouvir.
Segundo o dr. Edigar Rezende de Almeida, diretor-presidente da Fundação Otorrinolaringologia, além da diminuição da audição, o ruído intenso traz prejuízo para a saúde do indivíduo como um todo. “É capaz de prejudicar o sistema nervoso central, o sistema digestivo, inclusive o nosso sistema imunológico. Ele atinge todos os órgãos do organismo, traz alteração na produção de hormônios, atua sobre as glândulas endócrinas. Por exemplo, as mulheres que trabalham em locais de ruído têm distúrbios menstruais, e as grávidas têm maior incidência de má posição fetal”, explica.
A exposição prolongada ao som alto e constante também pode causar dores de cabeça, cansaço e elevação da pressão arterial. Algumas pessoas são mais e outras menos suscetíveis aos ruídos, mas a recomendação é a mesma para todas - em qualquer desses casos de incômodo, procure um médico otorrinolaringologista para uma avaliação auditiva. O ruído excessivo é uma das causas de surdez que mais permite prevenção.
Luciana de Melo lucianademelo@paulistanet.com.br
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